Comportamento e Educação / 3 min
Muitas pessoas aprendem a gerir seus rendimentos e despesas na “raça”, somente depois de “apanhar” muito da conta bancária e do cartão de crédito. A boa notícia é que a educação financeira para crianças e adolescentes pode ajudar os pequenos a não passarem por esse tipo de problema no futuro.
No Brasil, as escolas já têm essa responsabilidade devido à Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) proposta pelo Ministério da Educação (MEC). No entanto, estimular o desenvolvimento de responsabilidade financeira também é papel dos pais, que devem estar presente na educação infantil familiar. Veja como!
Nada do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. O primeiro passo na educação financeira para crianças é dar o exemplo de uma boa administração financeira.
Que tal levar o pequeno para o trabalho dos pais um dia? Assim, dá para explicar o que vocês fazem ali e como isso se transforma no dinheiro usado em casa.
Nada de comprar um brinquedo só porque a criança viu no mercado e começou a chorar. Explique que tudo precisa ser pago e que a gente não pode comprar tudo o que vê.
Vai comprar um móvel novo ou mesmo um brinquedo para a criança? Leve-a junto para comparar preços e mostre que um mesmo objeto é vendido mais caro ou mais barato em diferentes lojas.
Se o pequeno já está aprendendo as operações básicas, sempre confira com ele o recebimento do troco.
Em vez de comprar pequenos mimos ou lanchinhos no dia a dia, dar a mesada para que as próprias crianças sejam responsáveis por seus custos cotidianos é uma boa pedida.
Explique que, se guardamos um pouquinho por vez, conseguimos juntar uma quantia suficiente para comprar algo que desejamos.
Se você já dá mesada para as crianças, sente um dia para definirem objetivos financeiros, por exemplo, um passeio especial no aniversário do pequeno.
Especialmente na época de festas de fim de ano, mostre os malefícios de fazer compras em excesso, como a produção de lixo e o acúmulo de coisas em casa.
Faça desafios em família, como economizar X por mês na conta de luz se todos apagarem as luzes que não estão usando. Se baterem a meta, podem aproveitar um restaurante especial ou um cinema, por exemplo.
A educação financeira pode e deve começar desde cedo. Deve-se observar as habilidades matemáticas desenvolvidas de cada criança. Respeite sempre o tempo delas. Mas procure dentro do possível estimular o seu raciocínio e instigar a sua curiosidade para a educação financeira.
Esse é o momento de começar a colocar limites financeiros, mostrando que a criança não pode pedir tudo o que vê no supermercado, por exemplo. Ainda, é nessa fase que os pequenos começam a aprender as primeiras operações matemáticas.
Mostre o valor do dinheiro, explicando à criança que ela não pode comprar o brinquedo X porque é muito caro, mas que o Y cabe no orçamento. Ou ainda, ensine a criança a fazer escolhas: pergunte se ela prefere 1 de A ou 2 de B. Também ensine a fazer as primeiras poupanças, juntando moedas para comprar um lanche especial no fim de semana. Comece a deixar a criança realizar pequenas compras (uma água ou um salgadinho, por exemplo). Peça que ela observe quanto de dinheiro está levando e que calcule quanto de troco ela deve trazer. Sempre que estiver comprando algo com as crianças, peça que ela calcule quanto deveria dar o valor da compra (para compras com poucos itens) e o valor do troco (se estiver comprando com dinheiro).
Explique que todas as coisas são pagas, desde a comida de casa, até a energia e a água. Mostre a importância da economia, tanto pelo orçamento, como para evitar desperdícios. Dê mais autonomia para que ela realize algumas compras, mesmo não estando na presença dos pais. De vez em quando, dê um valor para que ela use na cantina da escola ou do clube quando precisar. Oriente-a a gastar com moderação em momentos de necessidade (por exemplo quando acabar o lanche que ela leva de casa ou quando ela precise ficar até mais tarde), sempre observando o preço do item comprado e o troco recebido. Dê uma carteira para que a criança possa guardar o dinheiro que venha receber (seja de vocês, dos avós ou até da “fada do dente”)
Comece a oferecer uma mesada para o pequeno para que ele desenvolva responsabilidade na administração desse dinheiro e aprenda a poupar. Defina um orçamento mensal de gastos juntamente com ele: quais são as necessidades dele? Quantas vezes por mês ele precisaria ter essas despesas? Qual seria a meta de poupança mensal dele? De que outras formas ele poderia aumentar a sua “renda”?
Acompanhe mais de perto nos primeiros meses, orientando suas escolhas. Para os adolescentes, vale a pena explicar conceitos como situação financeira saudável (receita maior que despesas), valor do dinheiro no tempo, juros e produtos financeiros como cartões de crédito e empréstimos.
Para reforçar esses conceitos e garantir que a criança os assimile naturalmente, as brincadeiras são sempre bem-vindas. Algumas ideias são brincar de lojinha, jogar o banco imobiliário ou jogo da mesada em família ou construir um cofrinho artesanal com um objetivo claro, como juntar o valor dos ingressos para um passeio no parque de diversões.
A educação financeira para crianças é algo nem sempre visto como prioridade dentro de casa. Mas que também é papel dos pais e pode contribuir com valores importantíssimos para a vida futura dos filhos. Por isso, vale a pena incluir essa preocupação na criação dos pequenos.
Aproveite e leia também nosso post sobre como escolher a escola dos seus filhos!